quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

CAMINHOS CRUZADOS - parte 1

Dienekes havia pegado referencias com Druom de membros da guarda que ele conhecia pois tinha interesse de trabalhar na guarda e Druom deu-lhe o nome de Sebastian Shaw, velho amigo. Ele vagava bêbado da Taverna Corvin para sua casa na parte mais pobre da cidade. As ruas estavam cobertas de neve e vazias. E de tão bêbado só percebeu que algo muito errado acontecia quando literalmente tropeçou nele. Cambaleando por uma viela ele tropeçou em um volume que quase o derrubou e ao se equilibrar viu três corpos de vistani no chão, visão que o deixou sóbrio quase que instantaneamente.

Os corpos eram doi uma mulher adulta, um homem adulto e de uma jovem garota. Ele verificou que todos tinham marcas de contusões e cortes e como que por milagre descobriu que a garota ainda vivia. Estava muito machucada e muito fria além de incosnciente, mas ainda respirava. Ele pegou a garota, a cobriu com sua capa vermelha e a levou para casa onde acenddeu um braseiro que deixou perto dela e tratou como pôde dos seus machucados. Um tempo depois ela despertou confusa e fraca. Dienekes serviu para ela uma sopa e conversou com ela. Seu nome era Lalka Domei e entrou em pânico quando descobriu que os pais estavam mortos. Dienekes então deixou a garota dormindo e foi para a guarda para avisar sobre os assassinatos e procurava por Sebastian que era a unica referencia que possuia.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

interlúdio 2

Kaisar Leone, esse misterioso estrangeiro, seguindo orientação de seus superiores se disfarçou como um escriba para poder investigar os vários indícios de que um demônio ancestral seria invocado por uma bruxa em uma noite auspiciosa e que a ordem vinha tentando seguir e só chegando a becos sem saída.

Durante duas semanas ele seguiu pistas falsas sob o disfarce até receber uma informação mais certa que dava a localização da bruxa na Floresta do Viúvo de um mateiro que estava desesperado pelo que havia encontrado em sua ultima visita na floresta do viúvo.

Então alertou sir Galahad, o paladino da ordem com quem trabalha e a quem auxilia e partiram naquela noite para onde foi indicado. Kaisar guiou pelo caminho pantanoso durante um tempo até encontrar uma claridade vermelha que os guiou até o esqueleto de um antigo povoado onde haviam restos de construções umas sem paredes, outras sem tetos e outras ainda somente as bases ou nem isso, como um animal que morreu há muito tempo e so lhe resta a carcaça sem carne nem vermes mais. E dentre essas construções havia uma casa, ainda de pé em sua maior parte, de onde a luz que os guiou provinha.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

interlúdio 1

Dienekes de Estagira segue seu comandante juntamente com um grupo de soldados ateniences em direção a muralha de Tróia. Seu comandante diz "Soldados! Essa é a nossa última chance de marcar nosso nome e o de Atenas na história pela bravura dos homens de Atenas e sua habilidade na guerra e não em função daquele embuste em forma de cavalo que eles estão terminando de construir. Vamos lá homens, POR ATENAS!" e todo grupo grita em retorno "POR ATENAS!"

Eles percorrem o espaço entre eles e a muralha posicionam as escadas e sobem por ela. Dienekes enfia sua lança na barriga do primeiro soldado troiano que tenta impedí-lo de subir e o puxa para trás. No alto da muralha, onde se encontra um imenso prato de bronze onde óleo queima para iluminar a noite que logo chegará Dienekes e seus companheiros lutam com outros troianos, com suas lanças e gladios dando espaço para todo  grupo subir. Os troianos se organizavam abaixo da muralha para investir e reconquistar o espaço, mas Dienekes e seus companheiros viraram o prato de bronze derramando fogo líquido sobre os inimigos que pereceram em agonia.

Dai só lhes restava abrir um dos portões secundários da cidade por onde entraria o exército de Atenas. Eles desceram da muralha se puseram em formação e avançaram bravamente para o portão. Quando se apriximaram do seu objetivo Dienekes, nosso herói grego, como ele se chama, vislumbrou um dardo em fogo que acerteou seu peito. Em um momento estava no campo de batalha e no seguinte as sombras o levaram para as portas do Hades (aparentemente o mundo dos mortos de sua terra natal) onde caiu de joelhos perante 1000 cabeças lamentosas pregadas em estacas. Onde ele proferiu "Crueldade Zeus, nem tive chance..." e então as brumas o cercaram e o trouxeram para a nossa pacata Baróvia, meses atrás, contrariando a ideia de que ela é responsável por tudo que há de ruiom nessa terra e não que se esconde atrás dela. Essa minha gente, é a história que escutei de seus próprios lábios quando bebeos juntos na Taverna Corvin de meu caloroso amigo Druon.

AS SOMBRAS DOS HOMENS - parte final

Kristine Mackean após de receber do Calibam, que se chamava Igor, a informações da origem da grande sombra que tem se abatido sobre o coração dos homens e transformado sua mente. O caliban contou que ele era servo da casa de Alfonso Antero, um comerciante baroviano rico da cidade e que esse comerciante tinha um filho e uma filha. O filho herdoui o nome do pai, mas logo quando criança apresentou uma loucura intensa. A filha, Alessandra, segundo o caliban, era a mulher mais bela de todas. Alessandra se casou e seu irmão piorou na loucura. E depois de uma longa ausencia da irmã, quando ela voltou para casa para cuidar do irmão enquanto o pai viajava a negocios ele se tornou violento e dce ter realizado algum ato hediondo, além de ferir a irmã gravemente, porque as sombras naquela casa ganharam vida e passaram a aterrorizar a cidade, acreditava ele. E o pobre Igor, fiel e simplório, escondeu sua senhora e cuidou de sua saúde até ela aparentar estar fora de risco para conseguir ajuda e foi por isso que demorou tanto a vir de encontro dos heróis.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

epílogo 4

Kristine foi acordada no inicio da alvorada por um jovem pajem que lhe disse ter uma visita inesperada e indesejada. Com um pouco de dificuldade ela saiu de sua cama e foi encontrar a visita. Ela desceu as escadas do templo e passou por alguns membros da igreja que carregavam asco e temor no rosto. Quando porém ela encontrou seu visitante entendeu a reação das pessoas. Por ela aguardava um calibam, de corpo curvado, membros largos, cabelos desgrenhados e uma amassada porém nova vestimenta de servo. Embora todos sentissem asco em relação ao amaldiçoado Kristine não era assim e sabia que o infortúnio pode fazer as pessoas temidas e odiadas sem elas merecerem e recebeu o calibam com paciência e piedade.

Mas eis que o destino faz troça da expectativa das pessoas. Ou talvez os poderes ocultos e sombrios que guiam as eternas brumas de Baróvia. Pois aquela criatura que a maioria negaria ser uma pessoa devido a sua deformidade trouxe para Kristine a resposta de como deter o mal que assolava então a bela Teufeldorf e dar fim àquelas noites sombrias.

quarta-feira, 30 de março de 2011

AS SOMBRAS DOS HOMENS - quarta parte


Após o último evento nossos protagonistas se recolheram ao seu merecido descanso. E no dia seguinte Caitah escutou atentamente quando Kristine e Bednic contaram sobre a Noite da Loucura e os acontecimentos que se seguiram a ela e no qual ele estava agora envolvido. Tentaram interrogar mais uma vez o prisioneiro, mas novamente a tentativa resultou em frustração.

Em busca de conhecimento visitou mais uma vez Thomas que lhe emprestou um livro sobre ocultismo e outros conhecimentos malditos que poderiam guardar algum segredo sobre os funestos acontecimentos. Kristine procurou o aconselhamento de seu superior no Templo do Senhor da Manhã, pois pôde sentir em seus companheiros algum poder quando em oração ao Deus, invocou um milagre.

Sebastian foi visitar a bela vistani que cortejava com o pretexto de ter sua sorte predita. Durante o dia ficaram sabendo que um soldado havia faltado e que sua família estava preocupada.

Enquanto patrulhavam as ruas no inicio da noite encontraram um soldado que corria desesperado com som do brandir de espadas às costas. Disse que Edward, o soldado sumido, estava na porta do cemitério e atacou um outro soldado. Havia algo mais, podiam sentir, pois o homem se encontrava desesperado. Correram para o cemitério onde encontraram ferido e inconsciente soldado para quem ofereceu suas preces pedindo por um milagre que salvasse o moribundo.  Caitah e ela avistaram um homem lá dentro e correram em sua direção enquanto. Sebastian e Bednic seguiam hesitantes. Kristine, para combater a escuridão, fez com que na espada de Caitah surgisse a luz da manhã e em sua própria arma também.

Quando chegaram no homem, Edward, este tinha a sombra dançante, embora não sorrisse. Não tinha expressão alguma. Assim como não tinham expressão aqueles que vieram em seu auxilio. Rindo Edward profetizou a morte dos heróis e fez com que sua sombra dançante disparasse muitos pedaços dela mesma ao redor, que passaram sem tocar seus oponentes, mas alcançaram seu objetivo. Pois das covas incontáveis homens e mulheres, jovens e velhos e ate mesmo crianças, se ergueram de seu descanso que deveria ser eterno para atacar nossos heróis. Tal horrenda visão projetou uma sombra no peito de cada um dos bravos protagonistas, mas a determinação de Kristine e Caitah os mantiveram firmes que costas a costas se puseram para enfrentar o que viesse.

Assustado Sebastian correu para fora com Bednic que se pos ali mesmo a vomitar. Ele tentou atabalhoadamente fechar o portão e se pos atrás de suas grades para se proteger e acalmar seu coração. A dupla dentro do cemitério combateu o horror e pouco a pouco foram sendo feridos. Mas no final triunfaram e ao seu redor haviam pilhas e pilhas de cadáveres desmembrados. Uma visão que não deixa de provocar terror no coração das pessoas.

Do lado de fora Sebastian tentou segurar o portão o máximo que pode, mas os mortos forçaram o portão para fora e o atacaram. Ele se pos entre o soldado inconsciente para protegê-lo enquanto Bednic se afastava ainda mais, em pânico. E os quatro mortos que passaram pelo portão tiveram seu fim – definitivo dessa vez, eu espero – pela espada de Sebastian.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

epílogo 3


Andando com dificuldade e deixando um rastro de sangue de sua perna ferida um homem se afasta furtivamente do conflito na viela. Sua perna pulsa de dor a cada pisada devido à mordida do cachorro. Mas ele não teme por seus perseguidores e não tenta despistar seus rastros. Está escuro demais para perceberem os rastros de sangue e quando o dia chegar já será tarde demais.

AS SOMBRAS DOS HOMENS - terceira parte

Quando foram reunidos novamente o grupo já considerava Caittah como membro. Ele decidira ficar na guarda da bela Teufeldorf.

Um homem foi assassinado durante a madrugada, enquanto vocês estavam fora. Seu corpo coberto de seu sangue, estirado e contorcido num beco. Mas não há nenhum ferimento de onde esse sangue jorrou. Assim começou o barão Harald que os levou até o corpo da vítima. Havia sangue seco por todo seu corpo e principalmente sobre o abdome, mas não havia nenhum ferimento.

Se informaram de que se tratava de um comerciante da cidade e descobriram também onde ele residira. E que na noite do assassinato ele esteve na Taverna Corvin. Cyprian foi fazer perguntas para Druom, o taverneiro enquanto Kristine foi a Igreja em busca de seus equipamentos. Caittah e Sebastian foram à casa do falecido Geremiah para fazer perguntas. Lá encontrou sua esposa e uma vizinha. Elas disseram que Geremiah era um bom homem, embora de temperamento forte e briguento. Ele esteve com o filho, que é membro da guarda e mais um amigo, na Taverna Corvin e era sócio de Fallen, em uma casa de produtos agrícolas.

Quando saiam da casa encontraram-se com Kristine que se aproximava e decidiram ir até o comércio, conversar com o tal Fallen. No caminho explicaram para Caittah sobre Fallen e seus três enforcamentos. Chegando lá o encontraram dando orientação á um dos seus empregados que atendia a um grupo de compradores e quando Fallen avistou os três soldados respirou fundo e automaticamente pôs sua mão sobre a cicatriz que têm na garganta.

Conversando com o aliviado Fallen, descobriram que Geremiah tinha muitas rixas com comerciantes de origens variadas. Mas que, certamente, a pessoa com quem mais teve atrito foi o nobre dono de terras Judas. E lhes explicou onde o encontrar. Ele enfatizou, “Não é porque Geremiah brigava com Judas e o acusava de sabotagem, que é Judas responsável pelo ocorrido, mas se têm alguém a quem Geremiah deu dor de cabeça, esse alguém é Judas”.

Eles então se reúnem a Cyprian na Taverna onde ele bebia e conversava com Druom que revelou alguns detalhes da noite anterior. Como que Geremiah bebia muito e com freqüência era preciso mandá-lo embora para fechar a taverna. Seguiram em seguida para casa de Judas, um velho ranzinza, esnobe e avarento que os recebeu bastante mal quando percebeu a insinuação explicita naquela visita. Tendo porém não descoberto nada de importante decidiram entre si que iriam se reunir ao anoitecer para patrulharem as ruas.


Caittah aproveitou esse meio tempo para procurar um membro da Igreja de Ezra que deveria ser seu amigo, contato e confidente. Thomas era seu nome e o recebeu de braços abertos em sua casa abarrotada de livros onde vive com a filha pequena, quando identificou através de código, quem era Caittah. Passaram a tarde conversando.

A noite eles andaram pelas ruas escuras de Teufeldorf até que iniciaram uma perseguição a um vulto que os espalhou pelas ruas. E quando o cão de Sebastian o mordeu aquele que corria, eles foram atacados na escuridão e lutaram às cegas. Tiveram pouca sorte, de início, mas quando Kristine convocou o poder do Senhor da Manhã em seu pingente sagrado e parte da noite se tornou dia com a luz que dele emanava ela se viu confrontando uma sombra em forma de homem – caricatura horrível da vida humana - que pereceu rapidamente se desfazendo no ar como cinzas que são levadas pelo vento. E um atrás do outro, quando ela alcançou os demais sua luz debilitou as criaturas de sombra que se parecia de forma grotesca com um homem. Quando procuraram aquele que perseguiam encontraram algo pior que as sombras. Um homem que era semelhante a uma sombra. Sua pele em eterna mutação, uma arma na mão e um sorriso torto no rosto.

Tenho certeza que no peito de cada um dos nossos protagonistas o coração bateu mais aceleradamente, como bate o coração de um homem que encontra a morte ou algo como isso que sugere que há algo pior do que ela. Suas armas atingiram o alvo, mas as sombras o protegia. Sua mão, com uma espada sombria golpeava os nossos heróis. Mas com a benção do Senhor da Manhã a criatura pereceu e as sombras abandonaram seu corpo deixando para trás um corpo vazio de alma e com um sorriso perturbador que se negou a abandoná-lo mesmo depois da morte.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

epílogo 2

Caittah revia a cena por um número incontável de vez. Ele tentava salvar seu amigo e seus empregados, mas os lobos os superaram e mataram e dilaceraram a todos. Por mais que ele lutasse por mais que ele se ferisse e por mais que ele atacasse. O final era sempre o mesmo. A hedionda figura humana, uma caricatura bizarra, devorando seu amigo e ele mesmo fugindo. Fugindo e fugindo. Mas os lobos correm atrás dele, para sempre em sua memória, como uma cicatriz. Caittah acorda suado no meio a noite, se levanta; se seca. Faz uma prece pedindo a Ezra força para conseguir fazer o que é certo e em silêncio começa a se exercitar.

Na rua, bem depois do escurecer, um homem sai de uma taverna e segue cambaleante em direção à sua casa, lentamente, pelas vielas tortas da região pobre da cidade. Seu hálito cheira a cerveja e seu corpo a suor e perfume barato de uma prostituta barata. A lua está escondida e ao redor tudo escuro. Porcos grunhem em algum lugar e cães latem ao longe. A bebedeira o deixa de raciocínio lerdo e percepção embaçada. Quando percebe que está sendo seguido, isso já acontece a um bom tempo.

Ele se vira sacando uma adaga de sob seu colete marrom e pergunta por quem o está seguindo. Quem está ai – ele pergunta – sabe quem eu sou? Se aproxime maldito, para que eu possa abrir sua barriga com minha adaga!

Seus olhos observam a rua escura em busca de algum sinal de seu perseguidor e nada encontram, seus ouvidos escutam pouco mais do que uma respiração. Ele não vê a fina sombra que se alonga em sua direção, com uma arma de corte em punho. A escuridão não o permite distinguir sombra de sombra. Ele então sente sua pele e carne rasgando e seu sangue quente jorrando com sua vida para fora de seu corpo e ele não vê também a sombra se afastando.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

AS SOMBRAS DOS HOMENS - segunda parte

No dia seguinte os protagonistas dessa, e outras, histórias foram convocados pelo barão Harald Bearskin III durante a tarde pois eles tinham mais uma missão. Na sala com uma mesa e cadeiras e uma janela por onde a melancólica luz do sol do outono baroviano se esgueirava estava um jovem soldado, maltrapilho e ensangüentado com uma trágica história.

Caittah Oradea, esse era seu nome,  fazia parte da escolta de um mercador quando, na noite anterior, uma alcatéia de lobos mais ousada  os atacou. A principio eles conseguiram repelir as bestas com certa facilidade, mas a cada momento o número dos animais aumentava e chegou um momento que seu numero, anormalmente grande superou as defesas dos simples três guardas – sendo ele próprio um deles – e os animais realizaram uma chacina matando a todos. Mas o mais aterrador ainda não havia acontecido. Caittah assistiu a um homem seminu e com aspecto selvagem se aproximar rosnando para os lobos e então reivindicar, assim como se faz uma fera para as demais a quais ela é superior, o corpo do mercador e então rasgar sua carne com os dentes e as mãos e animalizá-lo.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

epílogo 1

Sebastian Shaw percebe-se observando uma linda jovem que, sentada na beira de sua cama, iluminada pela luz da lua que ali não entra, nua, sorri para ele. Ele não têm idéia por quanto tempo esteve mesmerizado a admirá-la, mas parece-lhe que faz muito tempo. Ela, de pele branca e lisa, seios firmes, costas eretas, olhos caramelados têm seus cabelos negros ondulados esvoaçando sob uma brisa proveniente de algum outro lugar que não ali, onde a única porta e a única janela estão fechadas. Sorrindo ela fala, seus lábios carnudos e úmidos se movem, mas o som se propaga em algum lugar que não ali, que permanece em completo silêncio, a não ser por sua respiração desritimada. Sebastian se estica sob a coberta de sua cama, onde estivera deitado, se senta e estica o braço levando a mão na direção da mulher sentada na beirada de sua cama. A cada instante que se aproxima sente seu coração bater mais forte. Quando sua mão consegue sentir o calor do corpo dela, um momento antes de tocá-la, ele é acordado pelas batidas insistentes na sua porta.
Abrindo a porta depara com um soldado no corredor escuro dos alojamentos.

- O que há? Por que me acordou? Não sabe que trabalhei a noite inteira?

- Desculpe-me senhor, estou apenas seguindo ordens. Algo aconteceu que exige sua atenção.

- Do que se trata?

- Trata-se do prisioneiro, senhor. Barão Harald ordenou-me que o levasse para ver o prisioneiro, assim como os demais envolvidos nessa investigação.

- Entendo, vou me vestir e lhe acompanharei.

Após se trocar Sebastian segue o soldado que o guia até a ala dos confinados. Lá, no corredor frio e úmido ele encontra com Kristine Mckean e Cyprian Bednic. Após um breve aceno de saudação no qual cada um deles pode ver a exaustão na face dos outros, os três se viram para o soldado em busca de respostas.

- Então, o que houve?

- Algo muito estranho. O soldado que estava vigiando o prisioneiro essa madrugada teve um surto de febre, dizendo disparates. Aparentemente o prisioneiro fez isso com ele através de uma breve conversa, como se fosse uma maldição, ou bruxaria. Não conseguimos entender direito, já que o vigia foi recolhido para a ala de tratamento dizendo coisas sem sentido, mas desde então ninguém mais entrou lá.

O soldado deu de ombros com um sorriso cansado após seu breve relato. Os três se encaminharam para a cela e com o molho de chaves que o soldado lhes entregou abriram a porta. A cela, pequena e quadrada, estava iluminada pela luz da manhã vindo da janela. Sentado sobre a cama e imóvel, com os olhos fundos e negros em toda sua órbita, estava o prisioneiro, sorrindo bizarramente e ao seu redor sua sombra se agitava em todas direções, rebelde, como se tentasse fugir.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

AS SOMBRAS DOS HOMENS - primeira parte

É nesse lugar que essa história começa essa história, em uma madrugada fria de outono. Três soldados aguardam com disciplina seu superior, o barão Harald Bearskin III. São esses soldados o estudioso do sobrenatural e usuário da feitiçaria, Sebastian Shaw, a jovem sacerdotisa do Senhor da Manhã Kristine Mckean e o mensageiro e investigador Cyprian Bednic. Os três aguardam no pátio sombrio, cansados e de olhos fundos de uma noite sem dormir, o barão Harald. Após uma breve espera o barão chega no pátio e lhes dirige a palavra.


“Nessa madrugada coisas hediondas aconteceram” disse ele “homens e mulheres, jovens e velhos, comuns e soldados enlouqueceram e espalharam terror e morte pela cidade...” assim começou o discurso do chefe da guarda que explicou que os três foram reunidos porque dois deles estiveram no meio da loucura e sobreviveram e mantiveram a sanidade. E a jovem sacerdotisa foi enviada pelo seu conhecimento e envolvimento com Igreja. Eles então foram destacados para investigar a causa dessa loucura que não afetou a todos, mas afetou a muitos no centro da cidade. E para conter demais vítimas remanescentes desse caos. O barão não sabia porém que Bednic e Shaw de alguma forma também foram afetados pela loucura e que não se lembravam da madrugada com clareza, tendo várias lacunas em suas memórias sobre o ocorrido.

Orientados por seu comandante eles se recolheram para então começarem trabalhar na tarde seguinte. Cada um foi para seu alojamento a procura de repouso e descanso. Dentre eles Kristine acordou antes de todos e procurou orientação de seu superior na Igreja e este lhe ofereceu escritos sobre temas afins. Era uma madrugada na qual a segunda lua cheia surgiu, evento raro, e todos suspeitavam de que isso poderia ter causado de alguma forma todos os males. Mas sua pesquisa não trouxe respostas, mas sim mais dúvidas.

Kristine e Bednic se encontraram e visitaram alguns sobreviventes que estavam na ala de cura da Igreja. Encontraram um senhor que foi ferido protegendo seu filho de bandidos e guardas, encontraram um mulher em pânico que foi violentada e teve o marido morto por algum guarda e encontraram uma garotinha que sobreviveu apenas por ter sido escondida dentro de um baú e permaneceu quieta assistindo as atrocidades cometidas contra sua família que pereceu.
Andaram pelo centro da cidade fazendo perguntas às pessoas sobre terem presenciado o caos ou qualquer coisa em comum. Depois se encontraram com Shaw na taverna Corvin de Charles Druom. Shaw havia vagueado com seu cão pastor, inseparável companheiro, fazendo suas próprias perguntas, inclusive tendo visitado uma casa que foi arrombada na noite anterior e interrogando um garotinho de lá. Pouco descobriram além de que todos terem ouvidos muitos uivos de madrugada, que pareciam dentro da cidade. Alguns presenciaram a baderna e ficaram dentro de suas casas. Das vítimas e testemunhas descobriram que os loucos tinham um sorriso insano e vidrado no rosto.

Após uma breve conversa entre Cyprian Bednic, que aparentemente era um freqüentador conhecido do local, e Druom, eles descobriram que algumas caravanas vistani chegaram na cidade durante a manhã e Druom atendeu um, que comprava provisões e por ele foi alertado para não sair de casa depois de escurecer. Aparentemente os vistani tinham algo a dizer sobre os funestos acontecimentos.

Eles foram então para o Campo Zarovich conversar com os vistani. Lá foram recebidos por um vistani de nome Hereclean e uma jovem de nome Valea. Hereclean era aquele que visitou o taverneiro e disse que o alerta fora dado pelas cartas de uma vidente de seu grupo. Kristine conversou com o vistani que então cuidava dos cavalos e que a levou para conversar com a matriarca daquela família, Chilioara. Enquanto isso Bednic e Shaw conversaram com a jovem, que tocada uma bandola. Eles flertaram com ela e ela tirou as cartas para Shaw falando-lhe de seu passado, presente e futuro. Se as palavras da moça tiveram algum sentido, somente ele poderia dizer. Saíram de lá, pouco depois do anoitecer, com as palavras dos vistani que as cartas revelaram que algo ruim aconteceria durante o período de escuridão.

Caminharam pela cidade em direção do centro por algum tempo, enquanto o povo da cidade se recolhia e as ruas ficavam vazias e sombrias. Em determinado momento todos puderam escutar sons de uivos, que pareciam vir de todos os lugares ao redor. Inclusive o cão de Shaw participava da algazarra que se fazia para a lua cheia que acabara de escorregar preguiçosamente de detrás de uma nuvem. Shaw podia perceber pela sua afinidade com seu cão, que os uivos vinham de fora da cidade, e eram em sua maioria de lobos.

Então ouviram gritos femininos vindo de algum lugar entre as ruelas tortas da cidade. Sacaram suas armas e correram até chegar em frente uma casa que arrombada por cinco homens era vandalizada e sua moradora gritava desesperada enquanto era agredida. Mas a chegada dos três guardas chamaram a atenção dos agressores que se voltaram para eles com sorrisos perturbadores e inumanos e olhos vidrados coberto de negro. Eram homens comuns e guardas. Um combate teve inicio e os malfeitores foram vencidos, deixando poucos ferimentos nos nossos protagonistas, e três mortos entre os seus, um desacordado que então foi amarrado e um fugitivo.

Shaw, Bednic e Mckean perseguiram por um tempo em longa e cansativa investida o malfeitor fujão pelas ruas e vielas irregulares até que este chegou até um outro grupo onde encontraram também um dentre eles que se destacava. Sua presença era ameaçadora e sinistra exalando medo e terror. Os três se recompuseram e subjugaram o terror, se ele os tocou, e mais uma vez enfrentaram os vilões. Aquele que acreditaram prontamente que fossem o líder vestia uma capa negra e usava uma foice. Onde deveria haver seus olhos era pura escuridão. Mais uma vez sob o olhar ameaçador da figura com a foice puderam sentir o terror tentando penetrar suas mentes, mas resistiram e o combate teve fim, tirando a vida de todos os adversários, mas não levando embora o sorriso perturbador em suas frontes, como se rissem de algum segredo compartilhado entre eles e que nossos três intrépidos soldados ignoravam.

Após isso e com a ajuda de outros guardas que encontraram patrulhando levaram os corpos e o inimigo subjugado. Tentaram interrogá-lo de várias formas, sob ameaça, agressão, bebedeira. Mas toda resposta que tiveram foi incomposturas e ameaças acompanhadas pelo bizarro sorriso e olhos vidrados.
Bednic então foi fazer seu relatório dos acontecimentos para o capitão da guarda, o Barão Harald Bearskin III enquanto os demais se recolheram aos seus aposentos.

sábado, 6 de novembro de 2010

Preâmbulo


Boa noite a todos. Eu sou Rênio, o Trovador e como tal, colecionador de histórias. Percorri muitas vezes nossa amada Baróvia em busca de histórias. Muitas ouvidas de terceiros, outras observadas pessoalmente e até algumas vividas.


A história que tenho para contar hoje se passa Em Teufeldorf. Lugar deveras aprazível. Para aqueles que não a conhecem Teufeldorf é a segunda maior cidade de nosso reino, a oeste das montanhas Balinoks, com mais de 3.500 habitantes, em sua maioria humana, felizmente, e divididos quase ao meio entre barovianos e gundarakitas. A cidade possui campos de trigo ao seu redor, de girassol, de uvas e o rio Gundar do qual extraem trutas.


Para quem está seguindo pela estrada Crisom Road a cidade está do lado oeste e é cortada pela larga e calçada rua Calea Vitan, que a divide ao meio entre norte e sul. Ela possui ao sul uma praça que surgiu ao redor de um grande templo do Senhor da Manhã, fundada por Ramish Kostov, que lhe dá o nome, há muito tempo atrás. Nessa praça mantêm-se o comércio dominical no qual os fazendeiros e comerciantes das aldeias vizinhas vão vender seus produtos.

Teufeldorf têm também ao norte, nos limites da cidade, um descampado onde os vistani montam acampamento quando estão na cidade. É um lugar limpo, onde algum comércio prolifera, pouco visitado pelas pessoas que podem evitá-la, pois é a região mais pobre da cidade, ocupada principalmente por gundarakitas. Esse lugar é conhecido como campo Zarovich, em homenagem aos vistani.

E mais ao oeste, ocupada pelas pessoas mais ricas e proeminentes da cidade está a Praça Emil Garleanu onde fica o palacete do Burgomestre, Nicolae Balcescu, e sua família, tem também uma ferraria, um estábulo, alguns casarões e a sede da guarda da cidade. Um lugar antigo, com bases sólidas, interior frio e úmido, que parece acomodado ao clima frio e coberto de neblina. Uma construção enorme que pode guardar um pequeno exército, se necessário. Um lugar que projeta sombras longas e intimida os homens injustos.

Cruzando a Calea Vitan e mais um tanto de vielas e unindo a Praça Kostov ao Campo Zarovich há uma longa via de terra muito bem batida pelos anos e por milhares de pés toda ocupada cor comércio de todos os tipos. Seu nome é Via Calea Dustan, em homenagem ao famoso comerciante que fez parte da empreitada de fundação da cidade e desenvolveu o primeiro comércio.